PRESS

No Jornal de Notícias…
Artigo publicado no dia 1 de Janeiro de 2012, 
na Notícias Magazine.
Destaque para as t-shirts tipicamente
tripeiras e as desenhadas
para Braga Capital Europeia da
Juventude 2012.










Na revista Sábado…
Artigo publicado em Junho, 
em que é referida a nossa 
coleção "São João'11".






IllustrART na Time Out
No mês de Junho a revista
Time Out Porto destacou a nossa
coleção "Porto Sentido".


Entrevista
Entrevista online.
Este artigo encontra-se
disponível em:



Entrevista a…Isabel Coelho





ENTREVISTA REALIZADA POR DIANA CAMILO, ESTUDANTE DA FACULDADE DE BELAS ARTES DA UNIVERSIDADE DO PORTO PARA UM TRABALHO ACADÉMICO COM O TEMA NOVOS ARTISTAS.


Com 29 e após uma passagem por uma Empresa de Design e Publicidade decide deixar a apatia e o comodismo e “aventurar-se no que realmente a apaixona”. Segue o caminho da ilustração após um Bacharelato de Engenharia Química e uma Licenciatura em Design de Comunicação. Grande foi o receio em lançar-se no mercado, mas Isabel conta-nos como o desafio tem corrido, e como a aventura, afinal de contas, tornou-se bem real e promissora.

Quando iniciou o seu curso na ESAD já tinha o sonho de criar a sua marca dedicada à ilustração?

Desde muito cedo comecei a pintar e desenhar, no entanto, no secundário segui a vertente científica, de certa forma devido a influências familiares. Já na faculdade tirei um Bacharelato em Engenharia Química, mas o “bichinho” da pintura/ilustração continuava e foi então que decidi concorrer ao Curso de Design de Comunicação na ESAD no ano de 2004. Já na ESAD comecei a aperfeiçoar as minhas técnicas de desenho/ilustração e apaixonei-me cada vez mais por esta área. Em 2008 terminei a minha Licenciatura, e, como a maioria dos recém-licenciados sentia-me um pouco perdida, um pouco receosa e ansiosa com aquilo que me esperava num futuro próximo. Em Outubro desse mesmo ano consegui emprego numa Empresa de Design e Publicidade e a ilustração passou a ser um hobby.

Como surgiu esse sonho? O que despoletou essa paixão?

Foi algo que surgiu muito cedo, no entanto, acabei por dar mil e uma voltas… Trabalhei durante dois anos na área do Design e Publicidade, e, um dia, sentada no meu local de trabalho a olhar para o ecrã e a tomar um café decidi que não queria mais fazer aquilo, não queria sentir-me “acomodada”, e aí surgiu na minha mente a frase que dá sentido ao projecto Illustrart: “Aventura-te no que realmente te apaixona”. No mesmo dia comuniquei que no final do mês me iria embora e comecei a projectar na minha mente aquilo que viria a ser a minha Marca.

Partindo então desse conceito, tem sido uma aventura repleta de desafios? Sempre sentiu que o seu desejo era realizável?

Iria mentir se dissesse que não me senti receosa, com medo que o projecto fosse um fracasso, no entanto, também tive sempre a certeza que era o momento certo para arriscar e tentar a minha sorte. O meu maior medo, sinceramente, era sentir com o passar dos anos que não havia tentado o suficiente concretizar o meu sonho, e isso motivou-me para seguir em frente e arriscar.
Assim sendo, irei lutar por este projecto até ao limite e levá-lo o mais longe possível.

Quais as maiores barreiras com que se tem deparado na criação da Illustrart?


A maior barreira, acho que é um mal comum às Artes em si, é a não valorização e a não apreciação das vertentes artísticas.
É preciso insistir e arranjar novas formas para levar o público a “olhar”. Ao início pensei apenas em dedicar-me á Ilustração na sua forma mais tradicional, no entanto, achei que seria interessante aplicar a ilustração a outros suportes, (pins, colares, caixas de madeira, t-shirts, carteiras…) mais chamativos, para de certa forma levar as pessoas a olharem duas vezes.

Conseguiu algum apoio ou incentivo do estado para a sua criação ou lançou-se por si mesma ao mercado português?

Foi provavelmente um acto de loucura, ou o querer mesmo mudar mentalidades e “sacudir” um pouco o mundo da ilustração em Portugal que me fez lançar sozinha e dedicar-me a 100% no projecto. Registei a marca Illustrart e hoje é já considerada uma Marca Nacional.
Entretanto fui trocando ideias e conhecendo pessoas ligadas ao mesmo meio e surgiram várias ideias de colaboração/parceria. Assim, no próximo mês estarei na Loja “Retrato do que Vejo”, na Rua do Almada, cá no Porto, onde terei um espaço de Atelier e Venda de peças. É um espaço com produtos de artesanato urbano, design de moda, ilustração e joalharia contemporânea, onde se busca o autêntico e original. Além de mim o espaço de criação aloja as autoras Ana Guimarães e Margarida Valente (responsável pelo espaço).
A Loja tem um conceito engraçado, para além de ser um local de venda é também o espaço da própria concepção das peças. Com esta versatilidade da loja, pretende-se que os clientes ao visita-la adquiram os artigos com um espírito D.I.Y (Do It Yourself- Faça você mesmo). Ou seja, “traga-nos a sua ideia, nós fazemos o resto”.

Esse conceito de D.I.Y é uma tentativa de fazer com que as pessoas façam parte do processo criativo das suas peças? Acha que de certa forma torna-as mais próximas á sua simbologia e não tanto á peça em si?

Este conceito pretende aproximar o artista do consumidor, e, de certa forma, tentar entender o gosto de cada um e transpô-lo para uma Peça Artística. Mais à semelhança da pessoa para quem se cria, menos ao gosto do consumidor geral…

E qual tem sido a reacção da pessoas ao seu trabalho?

A reacção tem sido óptima, recebo frequentemente elogios, recebo convites para expor e vender as minhas Peças em Lojas de Design de Autor…sendo um projecto com pouco tempo (lançado em Outubro do ano passado), confesso que estou estupefacta e radiante pelo impacto positivo que tem alcançado.

Quais as referências visuais que usa com mais frequência nas suas ilustrações?


Tento não me “colar” a Artistas de referência e a maioria das vezes as minhas referências vêm de imagens soltas, de algo que vejo e começo imediatamente a idealizar uma ilustração.  Utilizo também muitas vezes a colagem, jogando com recortes de vários tipos de revistas…misturando-os com desenho e cor.

A vertente popular parece muito presente, qual o objectivo de usar uma linguagem visual tão intrinsecamente portuguesa nas suas ilustrações? Sente que há uma riqueza tradicional que pode e deve ser explorada de forma, e com meios modernos e contemporâneos?

Desde o inicio que decidi que é sobretudo no mercado português que quero vingar, sou portuguesa, temos imenso talento em Portugal, e, apesar de muitas vezes se ouvir que a Arte em Portugal não tem futuro, não acho que assim seja. Penso que é uma questão de insistência e divulgação e de não desistir facilmente. Daí veio também o recorrer frequentemente a imagens marcadamente portuguesas, o reinventar e dar novas formas a uma enorme riqueza tradicional que muitas vezes se encontra esquecida. E essas peças têm tido imenso sucesso, as pessoas acham imensa piada e encomendam peças com ilustrações “tipicamente portuguesas”.
Utilizo muitas vezes citações de Autores Portugueses…adoro poesia portuguesa. Nomes como Florbela Espanca, Fernando Pessoa, António Aleixo, Sophia de Mello Breyner, entre outros, fazem parte do leque de Autores que utilizo nos meus trabalhos, aparecendo sempre referenciado, claro, o nome do Autor e o local de onde retirei a informação. É também uma forma de divulgar os nossos “grandes Poetas”…

Pode descrever o processo de criação até ao momento em que estão prontos para serem lançados para o exterior?

O processo de criação baseia-se muitas vezes na própria citação ou numa frase…outras vezes em algo que vejo numa revista ou num site e que acho engraçado, outras vezes são “delírios” meus. Tendo um ponto de partida o passo seguinte é seleccionar o suporte onde irei aplicar a ilustração. O processo leva um tempo significativo, por exemplo, os pins sendo peças pequenas (60mm) seria de imaginar que não levariam grande tempo a criar, no entanto, muitas vezes são os que mais tempo levam, visto que é necessário muito mais pormenor e cuidado num desenho desta dimensão.
Depois da peça criada é ainda tempo de pequenos detalhes que incorporo nestas. Sou uma pessoa demasiado perfeccionista por vezes…olho uma, duas, três vezes para a peça, e só a considero acabada quando o resultado me satisfaz a 100%.
É portanto um processo que envolve pesquisa, selecção, produção e ainda pós-produção. Há ainda as etiquetas, as embalagens, e aí sim, os produtos estão prontos a serem lançados no mercado.

Quantas pessoas estão envolvidas nesse processo?

Para já sou apenas eu. Confesso que mal tenho tempo para dormir ou para tomar um café com amigos…este projecto consome todo o meu tempo. É um trabalho de segunda a domingo…
Quando estou mais sobrecarregada de trabalho a família e amigos acabam por dar uma ajuda, no que está ao seu alcance.

Todas as suas ilustrações são feitas manualmente? Utiliza algum meio digital para alterações ou melhorias?

Todas as ilustrações são feitas manualmente, nem para melhorias utilizo meios digitais.
Sou fã da expressão manual que nunca consegue ser igualada pelos meios digitais. Gosto do acaso. Da gota de tinta que caiu onde não devia, do risco que devia ser uma linha perfeita…

Hoje em dia vemos o conceito de Prêt- à - Porter (pronto a vestir) mais vivo que nunca. As grandes marcas até produzem com qualidade inferior para que seja necessária uma renovação constante do objecto, tudo é perecível e fabricado em grande massa. Como se sente em relação a isso, tendo em conta que a sua marca prima pela distinção, identidade, criatividade e uma certa exclusividade em cada produto?

Não sou apologista das grandes tendências, penso que uma pessoa prima exactamente pelo contrário, como dizia uma das minhas avós, alguém que recordo com bastante carinho, “para estares na moda tens de usar exactamente aquilo que não está na moda!” Dando um exemplo, regressou a moda das AllStar. Todos voltaram a usar, não porque são confortáveis, não porque esteticamente nos agradem, mas porque é uma moda, e quem não tem está “out”…
Acho que o importante é usarmos algo que tenha a ver connosco, que de certa forma transponha um pouco da nossa personalidade, não seguir tendências, muitas vezes absurdas, de forma a personificarmos ou criarmos uma identidade que não é a nossa.

Como pretende combater a dificuldade crescente na produção das peças á medida que os pedidos vão aumentando, mantendo a originalidade de cada uma e a sua manufactura?


Tenho algumas peças de edição limitada e prevejo lançar mais algumas Colecções desse género, mas nunca tornando a minha Marca algo “industrializado”, quando falo em limitado, é uma colecção com poucas réplicas. A nível da ilustração estou a preparar algumas Serigrafias, mas sempre em baixo número, quero manter o carácter único e limitado que caracteriza este projecto. À medida que for notando que dentro de cada temática não haverá mais nada a acrescentar de original, lançarei uma nova temática.
Neste momento encontro-me já a trabalhar sobre um novo tema que será lançado no final de Março, no Evento “Feiras Francas” que se realiza no Palácio da Bolsa (Largo de S. Domingos), com a designação “Porto Sentido(s) ”, será portanto uma colecção dedicada à cidade que me viu nascer.

Pretende então alargar o leque de suportes e temáticas? Fale-me um pouco da Japanese Pin Collection…

Sim claro, mas quero ir com calma, de forma a que cada tema e cada suporte ganhe o seu “lugar”…não quero impingir inúmeros suportes e temáticas, quero que cada um destes vá ganhando o seu espaço…
A Colecção Japonesa surgiu na sequência de uma análise que efectuei entre amigos e conhecidos, em que verifiquei que há cada vez mais pessoas apaixonadas pela Cultura Oriental e pelas suas tradições, em especial pela Cultura Japonesa, e isto revela-se até no fascínio crescente da população portuguesa pelo Sushi.
Agrada-me imenso a carga simbólica dos objectos/elementos japoneses, envoltos em história e cultos. É uma Cultura distinta da nossa e que me proporciona criar peças bastante diferentes.

Ilustrações como “Who Are You”, “Living in the Shadow” e “Blind” são de uma estrutura cromática e conceptual muito distinta das restantes, pode falar um pouco sobre elas?

A ilustração “Who Are You” e a “Living in the Shadow” foram realizadas tendo como base conceitos do filme “V for Vendetta”, tratando-se de um filme com uma vertente algo obscura e misteriosa, a estrutura cromática evoluiu nesse mesmo sentido. A ilustração “Blind” cresceu tendo como base uma imagem que vi numa revista, já não me recordo qual. Comecei por pintar a figura da mulher utilizando ecoline (aguarela liquida) numa pose que transmite um ar preocupado, pesado…daí evoluiu para o resultado final, que pretende transmitir a sensação que muitas vezes nos assola de “não quero ver mais nada”, daí a escolha de cores mais…sombrias. 

As suas ilustrações têm um cunho muito pessoal, ou são criadas com um conceito muito distinto de si?

Já caracterizaram as minhas ilustrações de “lirismo negro”, no entanto, não me preocupa muito como são caracterizadas…importa-me sim, que consigam provocar reacções, florescer emoções e transmitir uma mensagem, que não sejam absorvidas de modo apático. Sinceramente, agrada-me o “lado mais escuro”, no entanto também crio noutras linguagens.
Acho que as minhas ilustrações se caracterizam essencialmente pelo absorver do momento, surgem muitas vezes de um pequeno elemento do universo que me chama a atenção e que sinto necessidade de representar tal como o idealizo.

No seu site tem duas secções de ilustrações. São todas para aplicar em produtos no futuro ou são estudos?

No meu site tenho a Ilustração aplicada a diversos suportes e tenho uma Galeria apenas com Ilustrações, que estão também disponíveis para venda. O site ainda se encontra em actualização e brevemente realizarei um Catálogo Fotográfico com os vários Produtos, algo que será realizado a curto prazo.

Agora que ficámos a conhecer o projecto Illustrart e o seu crescente sucesso, tem algum conselho que ache importante um aluno no primeiro ano de Artes Plásticas não esquecer durante o seu percurso nas artes?

Acho que é importante mantermo-nos fiéis a nós mesmos, não "copiar" nomes de referência, procurar aquilo que nos faz únicos e expressa-lo no nosso trabalho. Aproveitar o que de bom aprendemos no nosso percurso académico, assimilando técnicas, vertentes, teorias, e reinventar a nossa forma de expressão, que nos distinguirá dos outros...Acho que é durante o período académico que definimos a nossa base artística, como tal o importante é procurarmo-nos a nós mesmos enquanto artistas e não procurarmos ser parecidos com alguém que admiramos...é aqui que o "nosso artista" começa a crescer e a querer ir mais além.
O meu conselho é...procurem o vosso caminho, o vosso lugar no "Mundo da Arte", de preferência em Portugal... O nosso país precisa de cor, Arte e pessoas com talento. Sejam persistentes e não desistam de concretizar os vossos sonhos, a vontade é meio caminho andado...só falta percorrer a outra metade, onde, sim, irão surgir inúmeras barreiras, mas nada é impossível de ultrapassar...
Para acabar e citando um grande senhor, António Gedeão,
“ (...) Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida. “
Entre as mãos de uma criança." (In Movimento Perpétuo, 1956) ”.
Façam avançar o Mundo!




1 comentário:

IllustrART disse...

Um muito obrigado a Diana Camilo pela pertinência das perguntas colocadas e pela sua simpatia.